Depois de anos viajando sozinho pelas estradas, enfrentando líderes de ginásio e salvando regiões inteiras, o Ash Ketchum fez algo que ninguém esperava: foi pra escola. Não pra uma academia de batalha. Uma escola de verdade. Com carteira, professor e colegas de classe. A reação dos fãs foi… dividida.
A vigésima temporada do anime Pokémon é, dependendo de quem você pergunta, ou uma das mais criativas e corajosas da franquia, ou uma das mais frustrantes. Raramente tem meio-termo. Mas tem muita coisa acontecendo por trás da nova animação arredondada e das aulas na ilha tropical — e esse artigo conta tudo.
O que é Sol e Lua
No Brasil, a vigésima temporada tem o nome oficial de Pokémon: A Série Sol e Lua, com 43 episódios. É a primeira temporada do arco de Alola — que se estende pelas temporadas 20, 21 e 22 — baseado nos jogos Pokémon Sun e Moon para Nintendo 3DS.
No Japão, estreou em 17 de novembro de 2016 na TV Tokyo. No Brasil, o TV Pokémon exibiu os primeiros episódios em 21 de abril de 2017, e o Cartoon Network seguiu em 5 de junho de 2017. Também chegou à Netflix em 1º de novembro de 2018. E tem mais um detalhe histórico: é a primeira geração do anime a ser dublada inteiramente no Rio de Janeiro — uma mudança de estúdio que alguns fãs perceberam nas vozes.
A animação que dividiu o mundo
Essa é a primeira coisa que todo mundo nota — e que gerou as reações mais intensas. A Sol e Lua chegou com um estilo visual completamente diferente de tudo que havia vindo antes: rostos mais arredondados, expressões exageradas, proporções mais “chibi” (diminutas e fofinhas), animação muito mais fluida e dinâmica nas ações.
O resultado foi uma divisão clara. Quem vinha da era XY — com sua animação impecável e batalhas cinematográficas — sentiu o choque. Quem entrou pela Sol e Lua sem comparação prévia achou divertido e expressivo. A verdade é que a nova animação foi uma escolha artística deliberada, não uma queda de qualidade: o estúdio queria algo mais próximo das expressões dos games de Nintendo 3DS e mais adequado ao tom mais leve da série.
Ash vai pra escola — e não coleta insígnias
Essa foi a mudança mais radical de toda a série. Pela primeira vez desde a primeira temporada, Ash não está correndo atrás de insígnias de ginásio. Em Alola não existem ginásios — existe o Sistema de Desafios das Ilhas, uma tradição cultural local onde treinadores completam Provas em cada ilha, enfrentando Capitães e Kahunas (os líderes de ilha).
E em vez de viajar pelas estradas, o Ash se torna aluno da Escola Pokémon da Ilha Melemele, ensinada pelo Professor Gabriel (Professor Kukui no original). Ele mora com o professor, vai às aulas, faz amigos na sala e aprende junto com os colegas. É uma proposta completamente diferente — e funcionou como uma porta de entrada para um público mais jovem que o anime havia deixado de atingir.
Os novos amigos: a turma de Alola
O grupo do Ash em Alola é o maior desde há muito tempo — todos colegas de classe:
- Lílian — uma garota tímida que tem medo de Pokémon e está tentando superar isso. Filha de uma família rica com uma mãe que foi uma grande treinadora. O arco de superação dela é um dos mais bem construídos da era de Alola.
- Vitória — tranquila, especializada em Pokémon de água. Tem um Popplio que ela treina com paciência e carinho.
- Lulú — animada, ligada à culinária, sempre experimentando novos ingredientes com seus Pokémon.
- Chris — o nerd tecnológico do grupo, rechonchudo e tímido, que passa o tempo com seus gadgets e seu Togedemaru.
- Kiawe — sério e apaixonado por Pokémon do tipo Fogo. Mora numa fazenda de Marowak na ilha vizinha e é o mais focado em batalhas do grupo.
Os Z-Moves: a nova mecânica de Alola
Com a Mega Evolução ficando pra trás com Kalos, Alola trouxe uma mecânica nova: os Z-Moves. São ataques extremamente poderosos que o treinador e o Pokémon executam juntos — com uma dança sincronizada específica usando um Z-Ring (pulseira) e um Z-Crystal (cristal do tipo correspondente).
Cada tipo de Pokémon tem seu próprio Z-Move — e alguns Pokémon específicos têm Z-Moves únicos só deles. No anime, as cenas de Z-Move são algumas das mais espetaculares da era de Alola, com animações especiais e muita energia. É diferente da elegância das Mega Evoluções — é mais explosivo, mais físico, mais visceral.
O Rotom-Pokédex: a Pokédex que fala de volta
Em Sol e Lua, a Pokédex do Ash ganhou um upgrade: ela tem um Rotom morando dentro dela — um Pokémon do tipo Elétrico/Fantasma que habita aparelhos eletrônicos. O resultado é uma Pokédex com personalidade própria, que comenta as situações, faz perguntas e até discute com o Ash. É uma das adições mais charmosas da era de Alola e virou um dos personagens mais queridos da temporada.
Pokémon fora das Poké Bolas — o tempo todo
Uma das características visuais mais marcantes de Sol e Lua: os Pokémon dos personagens principais ficam fora das Poké Bolas na maior parte do tempo. Eles aparecem nas aulas, caminham pelas ruas, interagem com tudo. É uma mudança que dá mais personalidade a cada parceiro e torna o mundo de Alola mais vivo — e que reflete a proposta da região, onde a relação entre humanos e Pokémon é mais próxima e natural.
O tema que ninguém esperava: morte
Aqui vem um dos aspectos mais surpreendentes de uma temporada que parecia mais leve que as anteriores. A Sol e Lua abordou o tema da morte de forma direta — algo que o anime havia evitado sistematicamente por décadas.
Um episódio mostra a história de um Marowak fantasma que protege o cemitério da ilha — e sua morte é mostrada de forma clara e emocionalmente pesada. Outro arco mostra a personagem Lílian lidando com a ausência da mãe de uma forma que a série nunca havia tratado tão frontalmente. É uma dicotomia interessante: a temporada mais “fofa” visualmente é também a mais corajosa em falar de assuntos difíceis.
3 coisas que muita gente não sabe sobre Sol e Lua
- É a primeira série dublada inteiramente no Rio de Janeiro. Todas as temporadas anteriores foram produzidas em São Paulo. A mudança de cidade trouxe um elenco diferente em algumas vozes secundárias — e os fãs mais atentos perceberam.
- Um episódio nunca foi ao ar no Cartoon Network brasileiro. O episódio 1031, “Um Encontro Real”, nunca foi exibido no canal — ficou disponível apenas na Netflix.
- A nova animação foi elogiada pela equipe de animação japonesa. Apesar da reação dividida dos fãs ocidentais, o novo estilo foi internamente celebrado como uma evolução — mais liberdade expressiva, movimentos mais fluidos e cenas de comédia muito mais eficazes do que o estilo anterior permitia.
Perguntas frequentes sobre a vigésima série de Pokémon
Qual é o nome da vigésima série de Pokémon?
No Brasil, a vigésima temporada se chama Pokémon: A Série Sol e Lua, com 43 episódios. É a primeira temporada do arco de Alola, baseado nos jogos Pokémon Sun e Moon para Nintendo 3DS.
Quando estreou no Brasil?
No TV Pokémon em 21 de abril de 2017, e no Cartoon Network em 5 de junho de 2017. Chegou à Netflix em 1º de novembro de 2018.
Por que o Ash foi pra escola em Sol e Lua?
Em Alola não existem ginásios — o sistema de treinamento é baseado em Desafios das Ilhas, uma tradição cultural local. A escola Pokémon é onde os jovens da região aprendem sobre Pokémon, e o Ash se torna aluno dela ao chegar em Alola.
O que são os Z-Moves?
Ataques extremamente poderosos executados com uma dança sincronizada entre treinador e Pokémon, usando um Z-Ring e um Z-Crystal do tipo correspondente. São a mecânica especial de batalha da era de Alola, substituindo as Mega Evoluções da era Kalos.
Por que a animação de Sol e Lua é diferente?
O estúdio fez uma escolha artística deliberada: rostos mais arredondados, expressões mais exageradas e animação mais fluida. O objetivo era um visual mais próximo dos jogos de Nintendo 3DS e mais adequado ao tom descontraído da série. A recepção foi dividida entre os fãs.
Onde assistir a vigésima temporada hoje?
A série está disponível na Netflix, Globoplay e Amazon Prime Video no Brasil.
O que vem depois
A vigésima temporada apresenta Alola e estabelece os personagens — mas o arco da região tem muito mais pra dar. A vigésima primeira série aprofunda os Ultra Beasts e o Ultra Espaço, e a vigésima segunda traz o momento mais aguardado de toda a carreira do Ash: a Liga de Alola. Se quiser revisitar o começo da jornada do Ash desde o início, a primeira série é por onde começar — e as curiosidades de Pokémon conectam os fios de toda essa história.